19 de março de 2017

O Livro Mágico de Joana (II)







Libertar
Um sentido
Espremido
Entre as garras
Da razão
- Uns chamam
De loucura; outros,
Ressurreição. 



Estalactites e estalagmites








Minha avó falou
De uma coisa que
Cristaliza lágrimas
Paralisa choros suspensos
No interior das cavernas.

Ela disse que
Lágrimas de rocha são
Dores de mulheres fortes
Flores de pedras em jardins
Muito íntimos.

- E vieram homens contar
Sobre formações minerais
Cavernas calcárias e acidez;
Mas minha avó não mentia
E sabia que a Natureza também
Chora seus choros escondidos.  

Tempestade de rosas





Arte: Rafal Olbinski 

Para Lázara Papandrea, Guerreira Florida



Engano seu
- A espada
Que carrego
Tem um fundo
Falso, onde guardo
Sementes antigas.

Como fora escrito
Tempo viria em que
Nossos sagrados gritos
Seriam calados por rótulos
Sedados por comprimidos
- Oprimidos pássaros em
Seus próprios corpos.

Mas é engano seu
Acreditar que a espada
Que erguemos no centro
Do palco, durante o espetáculo
Quase, quase interminável
Tenha como precípua função
Decepar cabeças e derramar
Sangue inútil sobre o chão.

- Guardamos sementes
E tecemos rosas de nuvens
Quando se anuncia a Grande
Tempestade.


O nascimento de uma Alma





Arte: Rafal Olbinski 




Existência
- Anos a fio
De espera para
Sabermos nosso
Próprio sexo e o
Verdadeiro nome.
Um enxoval com as
Cores do arco-íris
Aguarda um ser livre
Dos estereótipos
Que fragmentam
Alma e Destino.
Que
Sejamos
Meninas
Ou meninos
Iimpressões digitais
Caleiidoscópicas
Cores e imagens
Diversas
Poemas
Feitos
De versos
Livres
Solfejos
Em gritos
Na hora de
Nascer.
Uma Lua Cheia
Anunciará a hora
De irmos embora
Do que já não somos
Alguma voz dirá aos
Quatro ventos: nasceu,
É almado e leve; em breve
Nos dirá quem é e por que
Veio.